O Frágil Pulmão: Sistema Respiratório de Camundongos

Um dos maiores riscos ao se ter roedores está ligado, ironicamente, ao que os torna fofos e adoráveis. Por conta de seu tamanho, o sistema respiratório de camundongos (e outros roedores) é uma das partes mais sensíveis em seus corpinhos. Apesar de não termos certeza, acreditamos que foi por conta disso que nosso amado Afonso nos deixou.

Existem diferenças quando falamos em espécies diferentes entre os roedores, mas todos compartilham a mesma fraqueza em seus corpos. Um camundongo, por exemplo, respira entre 84 e 230 vezes por minuto em repouso (média de 163). Para comparar, um humano adulto respira 12 a 20 vezes. Isso significa que eles processam o ar do ambiente numa velocidade muito maior. Por conta disso, a inalação de partículas (amônia, óleos, poeira etc.) pode obstruir as vias ou contribuir com o desenvolvimento de sintomas mais sérios.

O Afonso, nosso camundongo. Pequeno como todos os da sua espécie, e com um pulmão igualmente minúsculo.
O Afonso, nosso camundongo. Pequeno como todos os da sua espécie, e com um pulmão igualmente minúsculo.

Na consulta que precedeu a internação do Afonso, descobrimos que existem 3 grandes riscos aos roedores quando se trata de sistema respiratório, já que roedores são, principalmente, respiradores nasais obrigatórios e o sistema deles é construído para respirar só pelo nariz. O grande vilão é o Mycoplasma pulmonis, a bactéria mais comum em infecções respiratórias de ratos e camundongos, ela pode ser agravada por uma Pneumonia e/ou obstrução da via respiratória. Descobrimos também, com o relato da médica, que o Afonso não era elegível a exames de sangue por conta de seu tamanho. A quantidade máxima de sangue que poderia ser retirada dele era de incríveis 0,03ml, o que não é realista tanto para coleta quanto para análise.

Naquele dia, fomos informados que no caso do Afonso o diagnóstico teria que ser feito por eliminação. Deixamos marcados exames de fezes e um raio X (apesar de ele não ter aguentado até lá) para averiguar se havia algum indício de infecção bacteriana nas fezes ou alguma obstrução aparecendo no raio X. Após isso, o Afonso foi colocado em uma baia oxigenada e foi a última vez que vimos nosso parceiro.

Afonso em seu terrário, já na consulta demonstrando a fragilidade do sistema respiratório de camundongos
Afonso em seu terrário, já na consulta

No artigo “Kling M. A. (2011). A review of respiratory system anatomy, physiology, and disease in the mouse, rat, hamster, and gerbil.”, a autora fala sobre a dificuldade em diagnósticos em pequenos roedores. Por vezes, nossos amigos acabam escondendo seus sintomas por serem “presas” e, na natureza, sintomas demonstram fraquezas aos “predadores”. Alguns sintomas, apesar de nem sempre presentes, podem ser sinais de emergência hospitalar. São eles:

  • Espirros frequentes
  • Rangido ou chiado ao respirar (você consegue ouvir)
  • Mancha avermelhada/marrom em volta do nariz e olhos
  • Pelo arrepiado ou áspero
  • Letargia, menos interesse em explorar
  • Perda de apetite
  • Respiração laboriosa, flancos se movendo muito
  • Boca aberta respirando — emergência, veterinário imediato

A autora também nos traz atenção para os fatores ambientais, que podem agravar ou ocasionar problemas nos sistema respiratório de camundongos. A qualidade do ar, estresse por manuseio, quantidade de luz e outros fatores podem ser catalisadores de quadros clínicos em roedores.

Esse dia estará permanentemente gravado em minha cabeça, não serei capaz de esquecer as expressões de dor quando internamos ele. Se existe algo que eu possa fazer para ajudar outros tutores, nem que seja apenas um, a não viver o que eu vivi, irei tentar fazê-lo até meus últimos dias. Atenção ao ambiente, forração, temperatura e comportamento de roedores deve ser redobrada, mesmo que pareça cuidado excessivo. Se notar sinais de lentidão, espirros ou pelos arrepiados, tenha atenção ao ambiente pois algo pode estar prejudicando seu amiguinho.

Não se esqueça, você não está sozinho!

Poema recebido pela Clinica após o falecimento
Poema recebido pela Clinica após o falecimento
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